REVISÃO CRIMINAL (SEÇÃO) Nº 5021933-38.2013.404.0000/TRF
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RELATOR |
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JOÃO PEDRO GEBRAN NETO |
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REL. ACÓRDÃO |
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Juiza Federal SALISE MONTEIRO SANCHOTENE
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REQUERENTE |
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C. A. B. E. |
ADVOGADO |
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MARCOS ANTONIO GERMANO |
REQUERIDO |
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MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL |
EMENTA
QUESTÃO DE ORDEM. REVISÃO CRIMINAL. INTRODUÇÃO IRREGULAR DE MEDICAMENTOS SEM REGISTRO NA ANVISA. ART. 273 DO CP. INCONSTITUCIONALIDADE. RAZOABILIDADE DA PENA MÍNIMA DE 10 ANOS. SUBMISSÃO DA QUESTÃO À CORTE ESPECIAL. ART. 97 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES. SUSPENSÃO DO FEITO.
1. Entendeu-se, no âmbito do STJ, ter ocorrido contradição em julgado anterior deste Sodalício, que afirmou, de um lado, ser constitucional o art. 273 do Código Penal, e reconheceu, de outro, violação ao princípio da proporcionalidade na pena cominada ao delito. 2. A elevada pena de 10 a 15 anos de reclusão cominada ao crime inscrito no art. 273 do CP não é adequada à imensa maioria das condutas com que se depara esta Corte. 3. Insta diferenciarem-se os diversos casos envolvendo medicamentos, de forma a proporcionar uma gradação adequada à gravidade de cada conduta. 4. Quando se trata de internação irregular de pequena quantidade de medicamentos, tem-se entendido ser possível a desclassificação da conduta para o contrabando, e, se moderada e para uso próprio, poderá aplicar-se o princípio da insignificância. 5. A importação de medicamentos por "laranjas" ou comerciantes irregulares de fármacos proibidos em solo nacional não é passível de desclassificação para o contrabando, e, por outro lado, é incomparavelmente menos gravosa que a falsificação massiva de medicamentos por grandes farmacêuticas. 6. A solução de que vem se valendo esta Corte, no caso, é de aplicar analogicamente a reprimenda cominada ao delito de tráfico de drogas (Lei 11.343/2006) visto que ambos se destinam a tutelar a saúde pública. 7. Outros Tribunais vêm decidindo acerca da constitucionalidade do tipo penal por meio de seu plenário ou órgão especial, na forma prevista pelo artigo 97 da Constituição Federal. 8. Suspensão do feito para submissão de Arguição de Inconstitucionalidade perante a colenda Corte Especial deste Tribunal.
ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia 4ª. Seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por maioria, decidiu acolher a questão de ordem para submeter a questão da inconstitucionalidade do tipo penal inscrito no art. 273 do CP, em Arguição de Inconstitucionalidade, à colenda Corte Especial deste Tribunal, nos termos do relatório, votos e notas taquigráficas que integram o presente julgado.
Porto Alegre, 09 de dezembro de 2013.
Juíza Federal SALISE MONTEIRO SANCHOTENE
Relatora para Acórdão