APELAÇÃO/REMESSA NECESSÁRIA Nº 5037372-07.2014.4.04.7000/PR
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RELATOR |
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Juiz Federal FRIEDMANN ANDERSON WENDPAP |
APELANTE |
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CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO PARANÁ - CRC/PR |
APELANTE |
: |
J. C. D. C. |
ADVOGADO |
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JOSÉ JÚLIO MACEDO DE QUEIROZ |
APELADO |
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OS MESMOS |
EMENTA
ADMINISTRATIVO. CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE (CRC/PR). ENQUADRAMENTO NO REGIME JURÍDICO ESTATUTÁRIO. LEI Nº 8.112/90. ADMISSÃO SEM CONCURSO PÚBLICO. REGIME CELETISTA. APOSENTADORIA. CONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 243 DA LEI Nº 8.112/90. SUBMISSÃO À CORTE ESPECIAL.
1. Como servidor público sujeito ao regime jurídico único, ou como empregado público sujeito à CLT, houve, depois da Constituição Federal de 1988, a obrigatoriedade de assunção à função pública por meio do concurso público.
2. O artigo 19 do ADCT não efetivou, indistintamente, todos os empregados públicos, isto é, não transformou aqueles que contassem mais de cinco anos de serviço publico, quando da promulgação da Constituição Federal de 1988, em servidores estatutários. Diferentemente, foi conferida apenas a estabilidade a tais empregados.
3. O e. STF, na linha de várias manifestações em sede de ações diretas de constitucionalidade (ADIs), e por isso, vinculantes, diferenciou os atributos da 'estabilidade' e 'efetividade', assentando a necessidade de submissão a concurso público para que o servidor se torne efetivo, sob pena de intolerável burla ao art. 37, II, da CF/88.
4. Havendo juízo sobre a constitucionalidade do artigo 243 da Lei 8.112/90, haja vista, em especial, a literalidade do que dispõe o respectivo § 1º, deve ser o feito submetido à Corte Especial, para que o incidente de inconstitucionalidade seja processado e julgado nos termos do que dispõem os artigos 97 da Constituição Federal, 948 a 950 do CPC e o Regimento Interno deste Tribunal.
5. Acolhida questão de ordem para suscitar incidente de inconstitucionalidade à Corte Especial.
ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, acolher questão de ordem para suscitar incidente de inconstitucionalidade à Corte Especial do Tribunal, nos termos do relatório, votos e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.
Porto Alegre, 14 de março de 2017.
FRIEDMANN ANDERSON WENDPAP
Relator